Qual será a função social do teatro?

domingo, 7 de junho de 2009


... Este é um questionamento que apesar de parecer já possuir uma resposta pronta e acabada, para mim a resposta ainda está em construção. E essa construção não é feita somente de mais e mais estudos teóricos que poderão embasá-la, mas sim de uma prática que está pautada nesses estudos e que aos poucos vão me possibilitando uma maior compreensão.
No início deste ano nosso grupo, Encenação, se propos começar um estudo sobre o Teatro Épico de Bertold Brecht, sem deixar de lado o Teatro do Oprimido de Augusto Boal. Começamos aprofundando um pouco mais sobre as técnicas do Teatro Épico, sua constituição histórica, mas principalmente sobre à sua função, sua destinação. Com isso, muitas práticas que já vínhamos realizando tomaram significado consciente para mim, e foram se constituindo como objetivos a se alcançar no fazer teatral.
Com a peça "Ombro Armas", começamos a nos preocupar com o foco do nosso trabalho, o que estávamos nos propondo a fazer, e muitas questões foram levantadas pelo nosso grupo. É uma peça que traz um contexto de guerra, então, qual seria sua relevância atual? Qual discussão nos propomos fazer ao apresentá-la? Percebemos então que estávamos discutindo na peça algo que se faz presente, e que vai além de apresentar fragmentos da II Guerra. A partir de nossas discussões, concluímos que a questão presente nesse experimento era a condição do homem, que pela necessidade de sobrevivência e de acordo com o estágio de desenvolvimento produtivo no qual está inserido é obrigado a se submeter à exploração, que tem diferentes formas de acordo com o momento histórico, na peça refletimos a respeito do homem em condição de guerra que nada mais é do que uma coisa, um objeto utilizável em prol de determinada classe, a classe que está no poder. Nos dias de hoje o homem não se encontra em uma posição mais favorável, pelo contrário, continua sendo explorado, alienado, e se tornando um objeto utilizável como meio para que a classe dominante atinja o fim: o capital.
Bom, a função social do teatro... Na verdade função social com certeza todas as peças de teatro possuem, pois favorecem e transmitem determinada mensagem, acho que a questão correta seria, talvez... a função de transformação social do teatro... não sei. Mas enfim, o teatro faz parte de um processo de construção, possuí uma história, para chegarmos e apresentarmos uma peça, não precisamos somente pegar o texto e ensaiar, mas também refletirmos sobre nossa objetivo como grupo, como peça, como ser social inserido num sistema capitalista que exclui e massacra. Além disso é necessário o coletivo, como o Gil comentou no último encontro, não é somente ensaiando que fazemos o teatro mas sim todo o processo, desde o público, os elementos técnicos, tudo faz parte de um trabalho coletivo. Qual nosso objetivo ao fazer teatro? Temos clareza da existência da luta de classes, estamos inseridos nela, portanto dentro dessas condições nossos objetivos ao fazer teatro não devem se desvincular dessa luta. Somos sim trabalhadores, assumimos como nosso trabalho o teatro, um teatro popular, não simplesmente por ser para o povo, mas por assumir para si essa luta de classes, da qual fazemos parte.
Como disse, a questão da função social do teatro na transformação do sistema não está totalmente clara para mim, mas no decorrer do nosso processo de trabalho como grupo, e não somente como grupo Encenação, mas como pessoas envolvidas nessa mesma luta, é que vamos construindo essa resposta, e acredito que no nosso último trabalho no Zaqueu de Melo, o Gil explicitou bem no Blog da FTO Londrina, como o trabalho foi construído, e como foi possível que ele acontecesse através desse trabalho, que vai além dos palcos da apresentação.

mariana

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Ombros Armas...Valor de Troca: No zaqueu neste final de semana

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Não Percam....

“Ombro, Armas / Valor de Troca: 2 Experimentos Cênicos de Intervenção Popular”

Sobre as peças
Ombro, Armas

A partir de fragmentos de textos referentes à II Guerra Mundial, o Grupo propõe uma reflexão sobre ao Homem em “sua condição de guerra”. Não só sobre a desumanidade e o Terror das guerras como também a estreita ligação, nelas, entre a desgraça das nações pobres e o constante aumento dos lucros dos grandes impérios.

Valor de Troca
Sua narrativa que tem por base uma notícia extraída das páginas principais do jornal Frances “Le Monde” Conta a história de um recém-desepregado, que ao perceber-se nesta situação entra em desespero e comete suicídio.O Espetáculo utiliza o Teatro-Jornal, faz uma reflexão sobre a crise mundial e sua relação com o desemprego crescente no Brasil.

Ficha Técnica
Espetáculo: Ombro, Armas / Valor de Troca: 2 Experimentos Cênicos de Intervenção Popular
Grupos: Encenação e Oficina de Teatro do Oprimido
Direção: Roberto Sales
Quando: 30 e 31 de maio (sábado e Domingo)
Onde: Teatro Zaqueu de Melo ( Av Rio de Janeiro 413)
Horário: 20:00hs

R$: 6,00 e R$ 3,00
Realização: Vila Cultural Casa do Teatro do Oprimido
Patrocínio: Programa Municipal de Incentivo a Cultura (PROMIC)
Contatos: 3324-9121 (Vila Cultural Casa do TO)
9115-4830 ( Roberto Sales)

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Fotos e Registro do processo de trabalho

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Registro do Processo de trabalho: " Ombro...Armas"...Primeiros Encontros O essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas de produtos do trabalho humano. A guerra é um meio de despedaçar, ou de libertar na estratosfera, ou de afundar nas profundezas do mar, materiais que de outra forma teriam de ser usados para tornar as massas demasiado confortáveis e, portanto, com o passar do tempo, inteligentes.
Somos a favor da abolição da guerra, não queremos a guerra. Mas a guerra só pode ser abolida com a guerra. Para que não existam mais fuzis, é preciso empunhar o fuzil.
Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada.
Em quanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos havera guerra.
Não sei com que armas a III Guerra Mundial será lutada. Mas a IV Guerra Mundial será lutada com paus e pedras.

Não é a fome, mas, pelo contrário, a abundância, o excesso de energias, que provocam a guerra.


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Atual Experimento Cênico: Ombros... Armas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009


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sábado, 2 de maio de 2009


Hoje, aos 78 anos, faleceu Augusto Boal, fundador do Teatro do Oprimido, metodologia criada nos anos 60 que mistura arte com ação social.
Em 2008 ele foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz e há pouco mais de um mês, foi nomeado pela Unesco Embaixador Mundial do Teatro.

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Referencialização - Nucleo Bartolomeu de Teatro Hip Hop

"FÁTRIA AMADA" - Espetáculo


VIDEO DO ESPETÁCULO







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Comentário de Geo Brito do CTO - Rio Sobre a Postagem de Mariana

terça-feira, 14 de abril de 2009

Gente,


Estou disponibilizando aqui, a contribuição de Geo Brito do CTO - Rio, sobre o debate que estamos desenvolvendo. Geo enviou o comentário para o Meu Email, mas acredito ser importante discuti-la: Alguem começa??





Abração


GIL



Foto de Geo Britto

http://www.ctorio.org.br/CURRICULO%20GEO.htm

"Alo caro Gil, como vai? Envie este texto aqui para os grupos assim facilita o Debate.



Ola Mariana como vai?



Seu texto traz um debate muito importante. Os dois Teatros sao fundamentais. Mas como começa a esbocar tem diferenças, por exemplo para mim, quando escreve "Teatro Épico que objetiva apresentar as contradições do sistema e proporcionar uma maior reflexão e *ação *dos espectadores" Eu tenho um discordancia, pois no T.Epico a açao é realizada pelos atores e nao pelos espectadores, que continuam sendo espectadores(aqueles que veem e esperam) no T.Oprimido sao especatores(veem para depois agir, entrar en cena no palco e na vida). Pois o ato de transformar é transformador. Um teorico estadunidense chamado Richard Scheneer disse

"Boal realizou aquilo que Brecht sonhou".



bj e vamos em frente.

Geo "

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SÓ UMA REFLEXÃO...

quarta-feira, 1 de abril de 2009


VI ONTEM UM BICHO
NA IMUNDICE DO PÁTIO
CATANDO COMIDA ENTRE OS DETRITOS

QUANDO ACHAVA ALGUMA COISA
NÃO EXAMINAVA NEM CHEIRAVA
ENGOLIA COM VORACIDADE

O BICHO NÃO ERA UM CÃO
NÃO ERA UM GATO
NÃO ERA UM RATO

O BICHO, MEU DEUS, ERA UM HOMEM.

(MANUEL BANDEIRA)

O poema acima seria utilizado pelo nosso grupo (Encenação) como o Prólogo da peça: "O Ensaio sobre o papel", porém no decorrer do processo acabamos não o inserindo na apresentação. O prólogo é o momento no qual tem por objetivo trazer elementos significativos da peça, introduzindo o tema a ser abordado (pelo que entendo...)

Bom, a peça "O Ensaio sobre o papel" foi trabalhada pelo nosso grupo no ano de 2008. A peça apresenta um diálogo entre o Teatro do Oprimido e o Teatro Épico. Diálogo esse que só compreendi atualmente, quando nosso grupo se propôs a conhecer melhor o Teatro Épico. Gostaria de me ater à essa discussão "Teatro do Oprimido e Teatro Épico"...

Primeiramente gostaria de ressaltar e esclarecer que esse é um esboço, uma questão que me intriga e portanto me leva à refletir. O Teatro do Oprimido traz ao palco questões reais, vivenciadas por pessoas que de uma forma ou de outra acabam sofrendo as opressões causadas por uma sociedade capitalista, exploradora. Portanto, ao trazer em cena as opressões vividas pelo ator, o Teatro do Oprimido permite a indagação e reflexão dos demais espect-atores que também passam por opressões semelhantes, visando encontrar uma solução para acabar com a opressão apresentada. Eu particularmente sempre me indaguei sobre os efeitos e as consequências promovidas por uma peça de Teatro do Oprimido, portanto acredito que um fator essencial que deve se fazer sempre presente para quem trabalha com o T.O. são os objetivos que se têm ao elaborar um Teatro Fórum: conformação ou transformação? Entende-se aqui a transformação dum contexto mais amplo, não apenas do ambiente específico em que o oprimido se insere, pois a opressão não tem sua origem nesse campo isolado, mas sim em um contexto de mediações e contradições que determinam as ações das pessoas envolvidas. É por isso que se faz extremamente necessário que os atores e espect-atores tenham claro o objetivo do teatro, que não é a simples resolução da opressão micro, mas também a busca de uma transformação social. Nesse sentido o Teatro do Oprimido e o Teatro Épico, apesar das características técnicas distintas tem muito a contribuir um para o outro, pois como o Teatro Épico que objetiva apresentar as contradições do sistema e proporcionar uma maior reflexão e ação dos espectadores trazendo elementos que colaboram para a compreensão das contradições da sociedade e sua necessidade de superação, o Teatro do Oprimido também tem essa "desopressão" como objetivo.

Além da pequena reflexão acima, acredito que ainda temos muito o que aprender e compreender sobre o Teatro Épico e o Teatro do Oprimido, portanto gostaria que dessemos continuidade à reflexão, postanto mais sobre esse tema... E discutindo a respeito.

Mariana



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terça-feira, 31 de março de 2009

Gestus

Gestus brechtiano, uma forma de se fazer uma narrativa de uma maneira mais social, buscando referencias de grupos sociais para mostrar ou explicar tal situação e também aumenta a atuação do ator épico.
Gestus social ou brechtano tem que ser estudado ou pesquisado pelo grupo e como pode ser inserido em uma peça e qual a mensagem que quer ser passada.
Para Brecht o homem é aquilo pelo meio em que ele vive, e dependendo da situação como ele pode agir sobre ela.
O Gestus é corporado por expressões, mímica e palavras, isso para apresentar uma narrativa mais rica e ajuda o distanciamento do ator com o personagem para provocar o estranhamento.
Por que o gestus é importante para tais coisas? Se caso você for representar uma classe social, por exemplo, políticos, venderes de picolé, cada um tem seus gestos e forma de dizer ou de como se dirige a palavra para uma pessoa, para uma mulher ou homem, pobre ou rico, tudo isso compõe o gestus, mais cada sua corporalidade pode ser explicada, como a mímica de dez políticos, mais isso tem que se tomar cuidado, pois só ela não é gestus faz parte mais só ela não é.
Então o gestus é uma forma de se mostrar o que você vê e interpretam de ações, iniciativas e compreensões para um melhor distanciamento para causar um maior estranhamento para os espectadores.

O próximo e o distante

Isso é muito interessante para trabalhar com o teatro épico e teatro do oprimido, metodologia, formas, e técnicas teatrais próximas ao mesmo tempo distantes. Uma técnica de teatro do oprimido mais próxima do teatro épico é o teatro – jornal, técnica mais inspirada por B.Brecth para Boal na época de sua maior criação em (1971) e a mais distante eu acredito que seja o arco-íres do desejo, suas formas são próximas no que se determina o desaparecimento da 4ª parede e mantendo um dialogo com publico e buscando uma dialética, o mais distaste acredito que seja como é demonstrada os problemas mostrados, o teatro do oprimido busca resolver problemas para um individuo e o teatro épico busca resolver para um grupo.





Futuramente mais textos...

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OS GALHOS DA ÁRVORE


A arte vem sendo utilizada por muitos, como instrumento de manutenção da realidade opressora tal como ela é. E, ao contrario disso, os grupos da Fábrica de Teatro do Oprimido vêem desenvolvendo pesquisas onde, a partir de B. Brecht, buscam evidenciar as contradições da sociedade, e de Augusto Boal, buscar uma maior interação entre atores e espec-atores através do Teatro-Fórum.

Não podemos desprezar o enorme avanço que a quebra da tão sagrada quarta parede foi para a historia do teatro. O primeiro contato que tive com o Teatro do Oprimido foi com o Teatro-Fórum. Quando vi, me encantei. E lá fui eu estudar. Fazíamos um grupo de estudos todas as terças para discutir os jogos, as categorias, a árvore do Teatro do Oprimido...
A árvore? Teatro-Fórum, Teatro-Imagem, Teatro-Legislativo, Arco-íris do desejo e Teatro Jornal. Nossa... quantos galhos. Diria até que, nos limitar ao Teatro fórum seria um pecado mortal.

Alem disso, chega uma hora que você para e pensa: se formos analisar as situações de opressões que acontecem no dia - a dia com o individuo, o Teatro fórum cumpre muito bem com a sua função, mais e se eu for pensar em termos de uma estrutura social? E se a minha intenção for: não discutir a realidade da Maria, do João, ou melhor, de um oprimido que resolve a sua situação e continua a viver em uma sociedade opressora, mais sim mudar toda uma classe oprimida?
Ai é que surge a idéia de fazermos o teatro jornal, uma forma de discutir não uma situação opressora, mais sim uma estrutura opressora, evidenciando as opressões e contradições da sociedade em que vivemos.


Podemos dizer então que entramos em uma luta, onde por um lado temos uma camada que utiliza dessa arma tão poderosa que é o teatro como um instrumento opressor, manipulando as massas e criando o senso comum, e de outro nós, utilizando dos próprios meios de manipulação para mostrar as entrelinhas, o não dito, expondo o nosso ponto de vista e tentando mostrar uma realidade menos mistificada, utilizando de muitos recursos Brechtianos como o distanciamento e a narração pra mostrar uma realidade menos vedada possível.

O dialogo Brecht/ Boal vem sendo muito positivo. Sinto que não só eu, mais todas as pessoas que estão passando por este processo vem crescendo muito, desde a estética até a própria compreensão do que seja o Teatro Épico e o Teatro do Oprimido. E a intenção é não parar. Os grupos vem se mostrando entusiasmados para cada vez mais estudar, experimentar, descobrirem suas próprias características e é claro, lutar.



Ana Carolina Silva
Multiplicadora de TO
Atriz Social do Grupo EncenAção

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Quem pesquisa, encontra conexão.

sexta-feira, 27 de março de 2009


O grupo Encenação de Teatro do Oprimido está atualmente: “metendo o bedelho” no Teatro Épico. É uma pesquisa recente para o grupo, e soou para nós como um estímulo para continuar o trabalho enquanto grupo coeso e mais responsável (por falta de expressão melhor). Aproveitando a “deixa” de nossa última montagem O ensaio sobre o papel, estamos nos aprofundando e ampliando nosso conhecimento através da análise das contribuições do Teatro Épico em relação ao Teatro do Oprimido.

Bom, pensando nisso, tente acompanhar este texto. Pode não estar tão claro, mas é uma tentativa de mostrar como está sendo este processo, essa nova experiência, nossas reflexões, “afirmações, negações e sínteses”. Continuando... Observem o exemplo.

Como dizer para um trabalhador que ele está sendo explorado?
Para ele, sua função dentro de uma fábrica é “importante”, porque para produzir uma mercadoria é necessária sua mão de obra (barata), sua força de trabalho (força produtiva que gera o valor da mercadoria). Assim como é importante à existência de toda uma rede de comércio e consumo (compra e venda), para que possa obter o sustento mínimo de sua família. Em sua mente é normal trabalhar oito horas produzindo um produto que não conhece em sua totalidade e que não terá condições de adquirir com seu salário.
Podemos pensar: “ele não compreende sua realidade, ele é um alienado”. É óbvio que ele não entende por que está na “pindaíba”, pois não é permitido que entenda. É conveniente para o patrão que o empregado não se preocupe com questões políticas, ou públicas. Tira-se do trabalhador os meios de produção (material e intelectual), incita-o ilusoriamente ao livre comércio, à igualdade de concorrência, à liberdade de ação. Porém qual a liberdade de ação que possui o trabalhador? A de trabalhar incessantemente para ganhar no fim do mês uma quantia irrisória que mal paga sua necessidades mínimas e como se não bastasse ele ainda é induzido a consumir o produto de uma superprodução, criando um vínculo complexo com “todos” os patrões (os donos dos meios de produção).
O teatro é em suma um instrumento utilizado tanto para que o trabalhador possa conhecer sua situação histórica, social e política, e pode também sem nenhuma "crise" ser usado para mistificar, esconder, camuflar todas as misérias produzidas pelas relações sociais de produção Capitalista. A função do Teatro Épico não é reduzir as relações humanas à simples esfera individual e sim deixar que essas relações se estendam à esfera pública, desmistificar, desvendar a história, fazer com que aquele trabalhador citado acima, conheça sua história de um ponto de vista crítico e que a partir disso recupere sua força criativa e transformadora.

Brecht, quando escrevia suas peças estava pensando no contexto histórico em que viveu: A Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Mas o pacote não estaria completo sem as teses socialistas, comunistas e tantos outros “ismos” que existiam. Por fim, optou pela concepção Materialista Histórica e Dialética para o seu fazer teatral. Já existia o Teatro épico, mas era mal visto pelos moldes da época, Brecht apenas deu sua contribuição para o teatro dando uma forma linear, para que os assuntos que eram discutidos dentro do drama tivessem uma maneira própria e mais eficaz de atingir seus objetivos.

Para que assuntos que tem relevância social não sejam tratados superficialmente, dialeticamente, através do teatro evidenciam-se as contradições de determinadas situações. Buscando entender as mediações para que seja possível a compreensão da Totalidade. Traduzindo; na época de Brecht, o teatro era um recurso usado pela Burguesia para “esconder” as intempéries das Guerras, para confirmação da realidade. Para que a compreensão dos problemas de interesse público fosse acessível a todas as Classes, criou-se um “método” que exagerando o cotidiano permitia um outro tipo de emoção para o público, a emoção de ver realmente através da racionalidade o que estava implícito dentro de suas relações sociais. Percebiam quais eram os fatos históricos que influenciavam o presente e que por ter esta característica “relativa”, mutável, despertava o expectador para a mudança. Este é o princípio do distanciamento, muito basicamente.

E que relação tem isso tudo com o Teatro do Oprimido? Ainda estamos descobrindo, é arriscado afirmar já que não existe verdade que seja absoluta. Mas já podemos perceber que este diálogo não é estéril, que pode contribuir para que os problemas pessoais levantados nos grupos não sejam discutidos de forma simplista, que não sejam reduzidos a qualquer drama que precise de “ibope” pra ser analisado pelos expect-atores.

Enfim, continuaremos nossa pesquisa, encontraremos nosso limite e veremos até onde “alcança nosso passo”.





Débora Oliveira.




Sobre a imagem: Escolhi a imagem da Barbie velha, justamente porque ela "nao envelhece". Nesta foto, porém ela está fisicamente velha, ninguém vende barbie velha, entendeu?rsrsr

Aaahh! Desculpem pelos termos um tanto quanto marxistas.^^


Até a próxima!

Comentem se quiserem.

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O TEATRO ÉPICO... E BRECHT

quarta-feira, 25 de março de 2009


SÍNTESE dos ESTUDOS do GRUPO

A denominação "épico" vem da divisão alemã dos gêneros literários, a esfera épica era aquela que correspondia à dimensão pública, política, da vida. Trazendo para a discussão e reflexão os determinantes sociais das relações inter humanas.
O teatro épico de Brecht tem influência marxista, propondo-se colaborar com a transformação da sociedade através da reflexão e análise das relações fundamentais de produção. Pois o teatro brechtiano tem como objetivoa tomada de posicionamento crítico e a reflexão e análise, por parte dos espectadores, dos dados fornecidos pela história narrada.
O teatro brechtiano tem como pressuposto o distanciamento, ou seja, admite um afastamento entre ator e personagem, e espectador e história narrada, sendo assim possibilitada uma interpretação mais real e racional da realidade apresentada, evitando o sentimentalismo e apego emocional.
O teatro épico tem uma função social, pois busca proporcionar uma apreciação crítica da sociedade em que estamos inseridos. Neste sentido apresenta um palco científico que, através da representação teatral, busca esclarecer ao público sobre a sociedade e suas contradições, assim como a necessidade de transformação. O teatro brechtiano suscita a ação transformadora.

GALERA, COMENTEM AÍ, E POSTEM O QUE VOCÊS ESCREVERAM!

MARIANA

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