A Militância Estética

quinta-feira, 5 de novembro de 2009



É muito comum, mesmo dentro do campo do pensamento crítico de esquerda, reduzir o a importância da arte – e da própria cultura, na luta pela transformação concreta da sociedade. Mesmo, tendo como base comum o discurso de que “arte não é mercadoria”, “arte não é apenas diversão”, muitos grupos acabam reduzindo sua produção artística politizada, – na melhor das hipóteses - por uma propaganda política (mal) estetizada. Ou apenas acabam reduzindo toda sua produção cultural em mera panfletagem, ignorando toda potencialidade que uma reflexão estética (critica e materialista) pode trazer para superação da sociedade de Classes.

Foi na década de 1970 que no Brasil se começou, de forma mais intensa, a se pensar formas e maneiras de superar o teatro político pelo entendimento do teatro como uma das formas possíveis de fazer política. Ou seja, a substituir um teatro de propaganda feita para as classes subalternas, por um teatro emancipatório de interesse das Classes Subalternas.

Augusto Boal (com o Teatro do Oprimido) e Bertolt Brecht, (com o Teatro Épico Dialético), por exemplo, nos trazem propostas concretas de uma prática ao mesmo tempo Estética e Política. Práticas que não absorvem o político no artístico, mas também não põe inimizade entre arte e política. Distingue-as, sim, mas como unidade do mesmo movimento em que o ser humano se historiciza e busca reencontrar-se, isto é, busca ser livre.
Não se trata meramente de “colar” qualquer ideologia na obra de arte, mas utilizar a própria obra de arte – no nosso caso, o teatro - para desenvolver uma consciência crítica, sobre a própria obra em si, e principalmente, sobre seus modos de produção – no nosso caso, no chão da sala de ensaio, na busca incansável da superação da divisão trabalho espiritual do trabalho material.


Deste modo, um processo artístico Crítico deve ser incompatível com perspectivas dogmáticas-sectárias. Algumas vezes, a utilização de uma peça teatral, por exemplo, como mera ilustração de conteúdo/conceitos de esquerda possui certo viés dogmático. E é na investigação (teórica e prática, nos campos da estética e da política) constante, que podemos extrapolar os limites do dogmatismo de um lado, e do “sentimentalismo socializante” de outro. E é a esse caráter de pesquisa processual – ao mesmo tempo estética e política; ao mesmo tempo teórica e prática – que chamo de Militância Estética. Uma militância que não visa outra coisa, senão a próprio desmascaramento das ideologias e mecanismos simbólicos do Capital. Que visa expor as contradições do capitalismo e relacioná-las com os atos e as posturas de cada indivíduo, artistas, obras, livros, personagens e públicos. Enfim, uma militância que visa re-ativar, no plano simbólico, a luta de classes.


Gil

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Notas sobre a Estética Marxista

domingo, 30 de agosto de 2009


Alguns princípios da estética marxista e conceitos de Gyorg Lukács


Penso que a confusão na crítica de arte atual espelha os dilemas que a produção artística enfrenta em meio às demandas comerciais que a produção na sociedade capitalista deve considerar. Às vezes é difícil crer em certos argumentos, critérios de julgamento duvidosos, sendo que a crítica deveria servir à análise honesta e necessária de um trabalho artístico, com intenção de enriquecer sua compreensão. A estética marxista propicia uma compreensão profunda, de preocupação com a dignidade humana, de busca da essência e dos fenômenos presentes numa obra de arte e que, ao refletir seu tempo, torna-se patrimônio de toda humanidade.

No início de meu estudo das concepções marxistas ficaram evidentes os conceitos distorcidos propagados a partir de um tratamento vulgar, o que, evidentemente para os que não tentam compreender o marxismo, serve como um escudo contra o esforço necessário de compreensão do homem e do que produz, erguido em face das questões pragmáticas de um lado da história.


O legado de pensadores como Marx, Engels, Lukács, Gramsci, Brecht, mesmo sob críticas, é o esforço intelectual e pessoal em períodos sombrios da história, na tentativa de compreender o mundo, o ser, sua produção e possibilidades. A displicência diante do que pensaram e o desdém em relação a seus escritos só demonstram a preguiça intelectual infelizmente enraizada em muitos rincões. A retomada de conceitos na tentativa de compreender a arte contemporânea mostra-se uma necessidade, ainda que os mandos do mercado dificultem cada vez mais olhar com nitidez para obras falsamente novas.No âmbito específico da estética, o que compreende o entendimento da criação artística, sua apresentação e a atividade do criador, portanto indicando caminhos na teoria do conhecimento, a profunda abordagem da teoria marxista, especialmente os conceitos formalizados por Gyorg Lukács, serão aqui tomados para análise de uma produção artística contemporânea, precisamente o último filme de Stanley Kubrick, lançado em 1999, Eyes Wide Shut, ou em português, De olhos bem fechados.


Primeiramente, a indicação breve de alguns princípios que vão orientar este estudo, com o cuidado de não exceder na tentativa de explicá-los, registrando a ênfase na utilização da teoria do reflexo na análise posterior: particularidade -- universalidade (objetividade) e singularidade (subjetividade); totalidade; o tipo; o realismo e a teoria do reflexo.Lukács formulou talvez um dos mais rigorosos corpos teóricos acerca da estética. Para ele, o ponto alto do ser humano é a arte, nela o homem concentra o empírico de sua existência -- a subjetividade -- e a realidade cotidiana que o cerca -- a objetividade. À confluência do que é subjetivo, ou seja, singular, e do objetivo, universal, Lukács entende como particular, daí os conceitos de singularidade, universalidade e particularidade. O artista deve refletir uma totalidade intensiva que é particularizada, ou seja, ao ser particular, ser único, este concentra tanto traços específicos quanto aqueles que se integraram a ele pelas circunstâncias, pelo ambiente, pela história. A tipicidade, portanto, é dialética, estabelecendo um ser em movimento, mantendo suas características ímpares. Nesse quadro, toda a obra de arte é uma totalidade para Lukács. Sobre a concepção de totalidade, Lukács debate com Brecht. Para Lukács a obra de arte é fechada, para Brecht, ela deve ser construída, modificada a todo tempo.


Quanto ao receptor, Lukács entende que a arte tem um papel educador e que a recepção deve ser catártica. Brecht, além de criticar Lukács por este tomar como paradigma da expressão artística o romance burguês, critica a catarse e entende que a arte deve despertar e não envolver, através do estímulo ao distanciamento do público diante do que está sendo visto.Outros dois conceitos importantes na obra de Lukács são o realismo e a teoria do reflexo. Para Lukács, o autor tem que ser realista; a obra de arte deve refletir a dialética entre o singular e o universal em sua dinâmica, refletir, portanto, uma totalidade que é particular. Essa particularidade vai indicar o tipo, ou seja, algo característico que reúne em si aquilo que é essencial e as unidades cambiantes dos fenômenos. A teoria do reflexo é conseqüência de um princípio do materialismo dialético:Uma tese fundamental do materialismo dialético sustenta que qualquer tomada de consciência do mundo exterior não é outra coisa senão o reflexo da realidade, que existe independentemente da consciência, nas idéias, representações, sensações, etc., dos homens.As teorias desenvolvidas por Lukács dão conta de questões prementes do humanismo socialista, para as quais o marxismo já indicava soluções, a partir das concepções do materialismo dialético, em considerações esparsas nos escritos de Marx e Engels. Como nenhum dos dois pensadores produziu uma obra que tratasse exclusivamente da estética, coube aos seus discípulos a formulação de conceitos de estética marxista, considerando, além das bases do pensamento marxista, as demandas da história no processo de implantação de um governo socialista, no que diz respeito à necessidade de elaboração de uma política cultural. Obviamente, a formulação dos princípios a partir dos quais uma estética marxista poderia ser aplicada, juntamente com a dinâmica política e social do período que demonstrou a importância de se estabelecer uma política cultural, é bem complexa e apresenta matizes vários, algumas concepções que mostraram-se equivocadas, de outros pensadores e artistas que tentaram compreender o processo como Plekhanov, Mehring, Trótski, Bukhárin, Eisenstein, Maiacóvski, Górki, Zdânov, Caudwell, Gramsci, Benjamin, Piscator, Goldmann, Kosik, e outros mais, como indica Leandro Konder em seu importante livro Os marxistas e a arte. Nessa amplitude de compreensões, de teorias, que propiciam uma riqueza de análise desde preocupações diversas, como a própria Revolução Russa e a política cultural, o realismo socialista, pensar a relação entre a arte e a cultura, a sociologia da cultura, a indústria cultural, a modernidade, os intelectuais e a cultura, etc., a tentativa de compreensão de uma obra contemporânea a partir de conceitos elaborados pelo pensador Georg Lukács, exige a indicação de princípios do pensamento marxista tomados como ponto de partida.No primeiro capítulo de seu livro Ensaios sobre literatura, Lukács indica as bases do pensamento marxista, resgatando das considerações esparsas de Marx e Engels sobre a estética “uma unidade conceitual orgânica e sistemática”, da qual destacam-se alguns pontos. Um problema para a arte concentra-se nos critérios de sua permanência enquanto valor estético, ao mesmo tempo em que não deixa de caracterizar um período específico da história. Esse paradoxo pode ser compreendido na consideração da história e do método dialético na estética marxista. Como Lukács destaca, a ciência da história para Marx e Engels constitui o princípio a partir do qual toda análise necessariamente deve ser feita; o quadro histórico geral deve servir como fundamento e ponto de partida para qualquer elaboração.


O processo unitário da história guia toda investigação acerca de pontos específicos. À essa preponderância do aspecto histórico, junta-se o método dialético que estabelece a simultaneidade entre verdades relativas e absolutas e a não simplificação das relações entre causa e efeito: não sendo unívocas, desenvolvem interações complexas.O essencial movimento que podemos depreender da abordagem marxista, ao observar esses dois pontos indicados por Lukács, evidencia o caráter humanista da compreensão tanto da arte quanto do artista: a integridade humana defendida por toda grande arte contém tanto o enfrentamento das dificuldades da consciência do homem diante do real, quanto sua capacidade de transformar a realidade pela característica marcadamente motriz da história. A essência do homem e sua integridade dão-se na valorização de sua humanidade e, da relação com o exterior, sua possibilidade de transformação. Para o pensamento da estética, Lukács retoma a relação entre fenômeno e essência, nos conceitos de singularidade, universalidade e particularidade, assim como na reelaboração da teoria do reflexo, além do conceito de tipo nos estudos sobre literatura: o personagem que possui características individuais concretas e, simultaneamente, está inserido no âmbito maior de uma problemática universal. Na arte verdadeira, o essencial, portanto, aquilo que permanece, encontra-se sob o estímulo do desenvolvimento dos fenômenos ou da roda da história: a essência está implícita nos fatos e os fatos demonstram a essência.


A verdadeira e grande arte contém a dialética das verdades relativas e absolutas, a capacidade e incapacidade do homem e sua ação, a mão-dupla das causas e efeitos, enfim, a possibilidade de abarcar a realidade, sem servir para contar toda a história - a arte não se reduz ao valor documental - , a arte permite “ver por dentro a experiência de uma condição histórica particular da humanidade e assimilar à minha consciência individual algo desta experiência”. Para Lukács, a estética marxista consegue resolver a questão desafiadora: “da unidade entre o valor permanente da obra de arte e o processo histórico do qual a obra de arte - exatamente na sua perfeição, no seu valor estético - não pode ser separada.”

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O Argão para se atear fogo ou qual é o sentido de nosso fazer teatral?

quinta-feira, 16 de julho de 2009


Escrevo aqui algumas reflexões levantadas em nosso ensaio-encontro de hoje, sobre a busca do (e de um) sentido de nosso fazer teatral. Um fazer ligado a uma postura crítica sobre a realidade que nos cerca. Que sentido Há (e se há algum?) em realizar o Teatro que realizamos? Em re-montar Brecht? em Utilizar a Comuna de Paris enquanto Fábula? Um evento aparentemente tão distante tanto histórica, quanto socialmente....?

Em Nossa sociedade atual, será que , o “tempo livre” é de fato assim tão livre? Esse tempo, saturado de produtos culturais, impede que cada qual se diferencie por escolhas próprias, espoliando sua energia vital. E, levando a uma perda generalizada de individuação, engendra rebanhos de seres em permanente e angustiante mal-estar – rebanhos que se aproximam cada vez mais da horda furiosa.


Hoje, o capitalismo avançado quer transformar o próprio individuo em um capital. "O Capital Humano". Assim, somos intimados a gerir esse patrimônio, a buscar sua ininterrupta otimização. Economistas, diretores de recursos humanos, terapeutas de programas de televisão, todos nos ensinam como cuidar de um corpo que já não nos pertence, de uma saúde que já não é nossa, de uma sexualidade que é generalizada. O conceito pretende convencer os trabalhadores assalariados de que cada um deles possui um “capital”: sua própria pessoa. E transforma assim sua existência num empreendimento constante de acúmulo de recursos destinados à valorização no mercado de trabalho. O Afasta de qualquer vinculo com o que é social e coletivo.

Atualmente, Toda cultura – inclusive a arte e o saber – já nasce como mercadoria. É o que Jameson chama de A cultura do dinheiro. Uma enorme fonte de renda e de lucro que se torna vitoriosa pelo poder da ideologia oriunda de Hollywood (Jameson, 2001, pp. 50-55).

Neste contexto, acredito que o (simples...) fato propor um tema para representação teatral, como "A Comuna de Paris" e submete-lo ao debate (estético e ético), já proporciona uma tensionalidade critica dentro do próprio sistema das artes. É re-estabelecer novamente o conflito e as contradições no plano do simbólico. E fazer lembrar concretamente, que a história na pára. Mesmo, quando todos nos querem fazer acreditar que sim.

"Uma questão importante é : Para quem interessa fazer arte política hoje?
Acredito que a pratica teatral não tem sentido quando é feito para abastecer o mercado espiritural das elites. Historicamente, os grandes artistas foram aqueles que subverteram essa destinação, aqueles que inventaram imagens menos conformadas do mundo, que dialogaram com as contradições da época, sem reproduzir a visão de mundo dos poderosos. O potencial politizante da arte depende muito de sua capacidade de desmercantilização.


O importante é que sempre modificamos o sentido da forma artística em razão dos assuntos e do nosso momento histórico. o Conflito é sermpre o Tema. É esse o material que devemos trabalhar: as contradições. E o movimento das contradições no teatro é tarefa coletiva. O potencial de desalienação de uma peça só se realiza coletivamente. Só como instrumento desalienante o teatro pode nos fazer experimentar uma vida mais viva do que essa criada pelas imagens dominantes no capitalismo." (Sergio de carvalho, Cia do Latão)"


As conquistas históricas da classe trabalhadora projetam sombra e luz ao proscênio liberal-burguês. É ocupar - e profanar -um espaço onde as imagens dominantes das classes hegemonicas, sempre utilizaram como irradiação de seu pensamento e seu modo de vida.


"Os arranjostemáticos e/ou as soluções estéticas não definem caráter crítico e transformador à arte teatral. O processo de trabalho e as relações de produção artística devem elas mesmas ser trans-formadas in processus. Um longo caminho de dramaturgos, encenadores etc. de alguma forma identificados com a causa histórica da transição socialista tomaram em suas mãos não só a tarefa de encenar peças mas alterar a produção artística. Apoiando-se nas conquistas legadas pelos processos revolucionários russo e alemão – solo histórico sobre o qual se erigiram as propostas de Stanislavsky e Brecht –, Boal irá propor a radicalização de suas premissas. Contudo, para compreender o nexo nacional-internacional, faz-se preciso reconstruí-lo a um só tempo histórica e criticamente." (Ante Projeto GTEPUEL).


Para mim há sentido. Claro e preciso.

Gil .

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Relatoria: Novo processo de trabalho

domingo, 5 de julho de 2009

Ferramentas penhoradas são devolvidas aos operários durante o cerco à Comuna




Membros presentes: Débora Oliveira, Gil e Ana Carolina

Relator: Gil

*esteve presente Anderson Zotesso do Grupo GATO de SP



No primeiro encontro deste novo processo de trabalho, foram expostas algumas reflexões sobre o Texto "135 anos da comuna de Paris" . Algumas observações são de grande relavancia para o desenvolvimento do processo cênico teatral que se desenvolverá:



1) A fase inicial que o capitalismo se encontrava na França, o que possibilitava, por um lado, maior clareza aos conflitos de classe e que por outro, possibilitava convivência de formas sociais oriundas ainda do Feudalismo.



2) A importancia da "classe média", para o desenvolvimento da revolução.



3) Discutiu-se sobre a formação da burguesia nacional brasileira, em relação a Burguesia francesa. São formações completamente diferentes:

*A sociedade brasileira se constrói e sofre seus processos de aburguesamento em torno do "enigma da alteridade", onde a dimensão do "outro" é interimamente anulada; a burguesia brasileira não define os campos da autonomia. Pelo fato da periferia do capitalismonão ter formados seus mercados internos, pelo fato do trabalho livre ter siddo um fato recente, não se formou por aqui o lugar da autonomia do sujeito e do estabelecimentoda identidades sociais, como no caso da Europa.

* As instituições brasileiras, já nasceram com um "carater fragmentado", "pos-modernas", nunca funcionaram direito (Anderson Zotesso)

*no brasil existe uma "ética de fundo emotivo". existe uma dificuldade social de se estabelecer uma relação com o outro de forma distanciada. em contrapartida, tendemos buscar nas relações sociais uma intimidade permanente, segundo os padrões do "favor": o vendedor precisa fazer do cliente um amigo, o patrão paga um salário de miseria mas é padrinho do filho do empregado. os direitos individuais sãoi anulados pela proximiudade confusa. Contudo, existe uma violência tamnaha nesta realção que acaba anulando completamente o outro.

* Existe um paradoxo social incrível no Brasil: é formado pela racionalidade liberal, mas esta racionalidade não se define nas praticas juridicas, social e patronal. no brasil o discurso da razão moderna aparece para legitmar práticas arcaicas que servem à dinamica do capitalismo e das práticas capitalistas atuais. O discurso Liberal, que era ideólogico na Europa, (que prometia universalidade mas não cumpria) no Brasil vira farsa e é posto à serviço da dominação do outro.

*a elite brasileira se aburguesou de modo "torto". Ao mesmo tempo que praticou um capitalismo de modo avançado, não levou adiante a revolução democratica e a industrialização, nem projeto de nação e de povo, como aconteceu na frança, que são temas históricos na formação da burguesia revolucionária na luta contra a aristocracia.

* esta histórica indefinição burguesa pode ser um grande tema a ser explorado no espetáculo, (aproximação com a realidade brasileira)



4)precisamos procurar aspectos da vida social que sirvam a uma compreenão da realidade e da experiência local, em conexâo com o realidade mundial (tradução a experiencia da comuna e o brasil de hoje - formação histórica do Brasil??)



5) precisamos descobrir, em algum nível, novas formas de representar o irrepresentável: uma sociedade com particularidades locais em conexões profundas com os processos mundiais do capitalismo, em que a desumanização e a mercantilização se expande a todos


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Qual será a função social do teatro?

domingo, 7 de junho de 2009


... Este é um questionamento que apesar de parecer já possuir uma resposta pronta e acabada, para mim a resposta ainda está em construção. E essa construção não é feita somente de mais e mais estudos teóricos que poderão embasá-la, mas sim de uma prática que está pautada nesses estudos e que aos poucos vão me possibilitando uma maior compreensão.
No início deste ano nosso grupo, Encenação, se propos começar um estudo sobre o Teatro Épico de Bertold Brecht, sem deixar de lado o Teatro do Oprimido de Augusto Boal. Começamos aprofundando um pouco mais sobre as técnicas do Teatro Épico, sua constituição histórica, mas principalmente sobre à sua função, sua destinação. Com isso, muitas práticas que já vínhamos realizando tomaram significado consciente para mim, e foram se constituindo como objetivos a se alcançar no fazer teatral.
Com a peça "Ombro Armas", começamos a nos preocupar com o foco do nosso trabalho, o que estávamos nos propondo a fazer, e muitas questões foram levantadas pelo nosso grupo. É uma peça que traz um contexto de guerra, então, qual seria sua relevância atual? Qual discussão nos propomos fazer ao apresentá-la? Percebemos então que estávamos discutindo na peça algo que se faz presente, e que vai além de apresentar fragmentos da II Guerra. A partir de nossas discussões, concluímos que a questão presente nesse experimento era a condição do homem, que pela necessidade de sobrevivência e de acordo com o estágio de desenvolvimento produtivo no qual está inserido é obrigado a se submeter à exploração, que tem diferentes formas de acordo com o momento histórico, na peça refletimos a respeito do homem em condição de guerra que nada mais é do que uma coisa, um objeto utilizável em prol de determinada classe, a classe que está no poder. Nos dias de hoje o homem não se encontra em uma posição mais favorável, pelo contrário, continua sendo explorado, alienado, e se tornando um objeto utilizável como meio para que a classe dominante atinja o fim: o capital.
Bom, a função social do teatro... Na verdade função social com certeza todas as peças de teatro possuem, pois favorecem e transmitem determinada mensagem, acho que a questão correta seria, talvez... a função de transformação social do teatro... não sei. Mas enfim, o teatro faz parte de um processo de construção, possuí uma história, para chegarmos e apresentarmos uma peça, não precisamos somente pegar o texto e ensaiar, mas também refletirmos sobre nossa objetivo como grupo, como peça, como ser social inserido num sistema capitalista que exclui e massacra. Além disso é necessário o coletivo, como o Gil comentou no último encontro, não é somente ensaiando que fazemos o teatro mas sim todo o processo, desde o público, os elementos técnicos, tudo faz parte de um trabalho coletivo. Qual nosso objetivo ao fazer teatro? Temos clareza da existência da luta de classes, estamos inseridos nela, portanto dentro dessas condições nossos objetivos ao fazer teatro não devem se desvincular dessa luta. Somos sim trabalhadores, assumimos como nosso trabalho o teatro, um teatro popular, não simplesmente por ser para o povo, mas por assumir para si essa luta de classes, da qual fazemos parte.
Como disse, a questão da função social do teatro na transformação do sistema não está totalmente clara para mim, mas no decorrer do nosso processo de trabalho como grupo, e não somente como grupo Encenação, mas como pessoas envolvidas nessa mesma luta, é que vamos construindo essa resposta, e acredito que no nosso último trabalho no Zaqueu de Melo, o Gil explicitou bem no Blog da FTO Londrina, como o trabalho foi construído, e como foi possível que ele acontecesse através desse trabalho, que vai além dos palcos da apresentação.

mariana

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Ombros Armas...Valor de Troca: No zaqueu neste final de semana

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Não Percam....

Ombro, Armas / Valor de Troca: 2 Experimentos Cênicos de Intervenção Popular”

Sobre as peças
Ombro, Armas

A partir de fragmentos de textos referentes à II Guerra Mundial, o Grupo propõe uma reflexão sobre ao Homem em “sua condição de guerra”. Não só sobre a desumanidade e o Terror das guerras como também a estreita ligação, nelas, entre a desgraça das nações pobres e o constante aumento dos lucros dos grandes impérios.

Valor de Troca
Sua narrativa que tem por base uma notícia extraída das páginas principais do jornal Frances “Le Monde” Conta a história de um recém-desepregado, que ao perceber-se nesta situação entra em desespero e comete suicídio.O Espetáculo utiliza o Teatro-Jornal, faz uma reflexão sobre a crise mundial e sua relação com o desemprego crescente no Brasil.

Ficha Técnica
Espetáculo: Ombro, Armas / Valor de Troca: 2 Experimentos Cênicos de Intervenção Popular
Grupos: Encenação e Oficina de Teatro do Oprimido
Direção: Roberto Sales
Quando: 30 e 31 de maio (sábado e Domingo)
Onde: Teatro Zaqueu de Melo ( Av Rio de Janeiro 413)
Horário: 20:00hs

R$: 6,00 e R$ 3,00
Realização: Vila Cultural Casa do Teatro do Oprimido
Patrocínio: Programa Municipal de Incentivo a Cultura (PROMIC)
Contatos: 3324-9121 (Vila Cultural Casa do TO)
9115-4830 ( Roberto Sales)

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Fotos e Registro do processo de trabalho

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Registro do Processo de trabalho: " Ombro...Armas"...Primeiros Encontros O essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas de produtos do trabalho humano. A guerra é um meio de despedaçar, ou de libertar na estratosfera, ou de afundar nas profundezas do mar, materiais que de outra forma teriam de ser usados para tornar as massas demasiado confortáveis e, portanto, com o passar do tempo, inteligentes.
Somos a favor da abolição da guerra, não queremos a guerra. Mas a guerra só pode ser abolida com a guerra. Para que não existam mais fuzis, é preciso empunhar o fuzil.
Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada.
Em quanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos havera guerra.
Não sei com que armas a III Guerra Mundial será lutada. Mas a IV Guerra Mundial será lutada com paus e pedras.

Não é a fome, mas, pelo contrário, a abundância, o excesso de energias, que provocam a guerra.


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Atual Experimento Cênico: Ombros... Armas.

quinta-feira, 14 de maio de 2009


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sábado, 2 de maio de 2009


Hoje, aos 78 anos, faleceu Augusto Boal, fundador do Teatro do Oprimido, metodologia criada nos anos 60 que mistura arte com ação social.
Em 2008 ele foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz e há pouco mais de um mês, foi nomeado pela Unesco Embaixador Mundial do Teatro.

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Referencialização - Nucleo Bartolomeu de Teatro Hip Hop

"FÁTRIA AMADA" - Espetáculo


VIDEO DO ESPETÁCULO







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Comentário de Geo Brito do CTO - Rio Sobre a Postagem de Mariana

terça-feira, 14 de abril de 2009

Gente,


Estou disponibilizando aqui, a contribuição de Geo Brito do CTO - Rio, sobre o debate que estamos desenvolvendo. Geo enviou o comentário para o Meu Email, mas acredito ser importante discuti-la: Alguem começa??





Abração


GIL



Foto de Geo Britto

http://www.ctorio.org.br/CURRICULO%20GEO.htm

"Alo caro Gil, como vai? Envie este texto aqui para os grupos assim facilita o Debate.



Ola Mariana como vai?



Seu texto traz um debate muito importante. Os dois Teatros sao fundamentais. Mas como começa a esbocar tem diferenças, por exemplo para mim, quando escreve "Teatro Épico que objetiva apresentar as contradições do sistema e proporcionar uma maior reflexão e *ação *dos espectadores" Eu tenho um discordancia, pois no T.Epico a açao é realizada pelos atores e nao pelos espectadores, que continuam sendo espectadores(aqueles que veem e esperam) no T.Oprimido sao especatores(veem para depois agir, entrar en cena no palco e na vida). Pois o ato de transformar é transformador. Um teorico estadunidense chamado Richard Scheneer disse

"Boal realizou aquilo que Brecht sonhou".



bj e vamos em frente.

Geo "

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SÓ UMA REFLEXÃO...

quarta-feira, 1 de abril de 2009


VI ONTEM UM BICHO
NA IMUNDICE DO PÁTIO
CATANDO COMIDA ENTRE OS DETRITOS

QUANDO ACHAVA ALGUMA COISA
NÃO EXAMINAVA NEM CHEIRAVA
ENGOLIA COM VORACIDADE

O BICHO NÃO ERA UM CÃO
NÃO ERA UM GATO
NÃO ERA UM RATO

O BICHO, MEU DEUS, ERA UM HOMEM.

(MANUEL BANDEIRA)

O poema acima seria utilizado pelo nosso grupo (Encenação) como o Prólogo da peça: "O Ensaio sobre o papel", porém no decorrer do processo acabamos não o inserindo na apresentação. O prólogo é o momento no qual tem por objetivo trazer elementos significativos da peça, introduzindo o tema a ser abordado (pelo que entendo...)

Bom, a peça "O Ensaio sobre o papel" foi trabalhada pelo nosso grupo no ano de 2008. A peça apresenta um diálogo entre o Teatro do Oprimido e o Teatro Épico. Diálogo esse que só compreendi atualmente, quando nosso grupo se propôs a conhecer melhor o Teatro Épico. Gostaria de me ater à essa discussão "Teatro do Oprimido e Teatro Épico"...

Primeiramente gostaria de ressaltar e esclarecer que esse é um esboço, uma questão que me intriga e portanto me leva à refletir. O Teatro do Oprimido traz ao palco questões reais, vivenciadas por pessoas que de uma forma ou de outra acabam sofrendo as opressões causadas por uma sociedade capitalista, exploradora. Portanto, ao trazer em cena as opressões vividas pelo ator, o Teatro do Oprimido permite a indagação e reflexão dos demais espect-atores que também passam por opressões semelhantes, visando encontrar uma solução para acabar com a opressão apresentada. Eu particularmente sempre me indaguei sobre os efeitos e as consequências promovidas por uma peça de Teatro do Oprimido, portanto acredito que um fator essencial que deve se fazer sempre presente para quem trabalha com o T.O. são os objetivos que se têm ao elaborar um Teatro Fórum: conformação ou transformação? Entende-se aqui a transformação dum contexto mais amplo, não apenas do ambiente específico em que o oprimido se insere, pois a opressão não tem sua origem nesse campo isolado, mas sim em um contexto de mediações e contradições que determinam as ações das pessoas envolvidas. É por isso que se faz extremamente necessário que os atores e espect-atores tenham claro o objetivo do teatro, que não é a simples resolução da opressão micro, mas também a busca de uma transformação social. Nesse sentido o Teatro do Oprimido e o Teatro Épico, apesar das características técnicas distintas tem muito a contribuir um para o outro, pois como o Teatro Épico que objetiva apresentar as contradições do sistema e proporcionar uma maior reflexão e ação dos espectadores trazendo elementos que colaboram para a compreensão das contradições da sociedade e sua necessidade de superação, o Teatro do Oprimido também tem essa "desopressão" como objetivo.

Além da pequena reflexão acima, acredito que ainda temos muito o que aprender e compreender sobre o Teatro Épico e o Teatro do Oprimido, portanto gostaria que dessemos continuidade à reflexão, postanto mais sobre esse tema... E discutindo a respeito.

Mariana



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